O AMOR NOS DIAS DE HOJE


Alguns acreditam que as expressões de amor e sexualidade têm se distanciado da fórmula romantizada de antigamente: o casamento tradicional. Temos novas modalidades de amor: amor virtual, sexo casual, sexo por conveniência, os “amigos com direito”, a troca constante de parceiros, o metrossexual, o bissexual, entre outros. Claro que muitas dessas expressões são antigas, mas aconteciam de forma velada.
A fluidez das relações amorosas é abordada por muitos, em especial pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que propôs a expressão “amor líquido”.

Para ele, o amor hoje é constituído por um laço frágil, cuja durabilidade é pequena porque os sujeitos encontram dificuldades em renunciar a todos os prazeres que lhes são oferecidos. As promessas de satisfação são constantes e, como tudo é permitido, não é fácil permanecer fiel ao parceiro e negar as outras possibilidades.
Bauman chega a afirmar, inclusive, que não se pode entender que exista desejo (não desejo em termos psicanalíticos) nessas relações líquidas, trata-se de impulso. Movidos pelo imperativo da satisfação da cultura atual, qualquer troca que pareça necessária será feita. O autor assemelha o consumo de bens materiais ao que acontece no amor de hoje: troca-se, sem remorso, algo que não cumpriu a função esperada, ou, ainda, troca-se apenas porque o outro objeto parece mais satisfatório:

amor

 

“Afinal, automóveis, computadores ou telefones celulares perfeitamente usáveis, em bom estado e em condições de funcionamento satisfatórias são considerados, sem remorso, como um monte de lixo no instante em que novas e aperfeiçoadas versões aparecem nas lojas e se tornam o assunto do momento. Alguma razão para que as parcerias sejam consideradas uma exceção à regra?”

 

Então, os sujeitos buscam meios de alcançar essa satisfação sem limites e, assim, encontrar a suposta felicidade.
A constante insatisfação na esfera amorosa chega à clínica juntamente com queixas sobre o próprio corpo, a quantidade de bens materiais possuídos, dependência de drogas etc. Isso porque, mesmo fazendo de tudo para alcançar o sem limite do gozo, os sujeitos estão se deparando com a insatisfação.
Até o crescente aumento das relações cibernéticas é uma expressão desse momento – uma tentativa de mascarar a escassez de parcerias reais com as conexões virtuais.

Não há, então, exceção à regra? A cultura atual pôs fim ao amor? Não haverão mais relacionamentos monogâmicos? O casamento é uma instituição falida? Como saber se eu amo? Há amor?
Interessante a contradição: enquanto matérias viralizam o “poliamor” os sites de relacionamentos se enchem de pessoas em busca de “amores duradouros”, as ruas cheias de frases como “mais amor, por favor”. A indústria de casamentos não foi afetada pela crise econômica e sonho de festas clássicas vem aumentando.

Há uma nova forma de amar?

Como sempre, é difícil falarmos do Amor, do Relacionamento enquanto verdades absolutas. Há a verdade de cada caso. Lembrando, sim, que as relações amorosas tem se complexificado e que os sujeitos tem se adaptado ao novo social, ao novo modo como a cultura ampara seus ideais, e isso tem se estendido para as relações amorosas.

Então, pergunte-se: “Como eu amo?” “Como quero ser amado?” E aí, encontrará SUAS respostas.