Separação: Reinvenção ou devastação?


Por que as rupturas amorosas são tão difíceis? É possível manter um amor igual ao longo dos anos?

Quando sabemos que um relacionamento está acabando?

É cada vez mais comum a queixa das pessoas frente a ausência de casais octogenários : se a população está envelhecendo onde estão os casais de idade avançada?

De tempos em tempos algumas imagens desses casais povoam as redes sociais e surgem os questionamentos sobre o amor contemporâneo. 

Fala-se em consumismo, em amor líquido, criam-se teorias… Mas, a pergunta que não se cala: todo relacionamento acaba?

Não vou entrar na discussão social sobre as dificuldades de desfazer laços conjugais, independente da qualidade desses, de décadas anteriores. Mas, há algo muito importante de ser pensado em relacionamentos longos: a possibilidade de mudança. 

Não há unidade. São dois seres que vão mudar com o passar do tempo, se ressignificar ou se reapresentar. A ilusão de que no casal há um ser único embala sonhos românticos mas desfaz parcerias. 

O caminho de uma parceria amorosa há de ser compartilhado por dois inteiros distintos que de tempos em tempos se desencontrarão. E nesse momento, decidirão como recomeçar: juntos ou separados. São dois diferentes daqueles que iniciaram a jornada. 

Se buscarmos o ideal do um, qualquer mudança no outro será o fim. E vítimas da busca pela completude os sujeitos seguem sozinhos. 

Assim, todo relacionamento que se inicia acaba, mas ele pode ser reinventado pelos mesmos parceiros. O que não funciona é tentar manter tudo igual, impor uma unidade… Se houver unidade qualquer alteração, qualquer ruptura será da ordem da devastação. 

Busquemos um amor que não seja complacente nem autoritário e que possa ser inventivo. Nesse sentido, haverá beleza em um casal de senhores que optou por compartilhar UM caminho a DOIS.